Estudo da USP explica por que é bom tomar suco de laranja todo dia

Pesquisadores apontaram vantagens do hábito de tomar suco de laranja diariamente após acompanharem 85 voluntários por 60 dias

O suco de laranja é uma das bebidas preferidas dos brasileiros e costuma ser consumido logo pela manhã, acompanhado de café com leite e pão com manteiga. Estudo da Universidade de São Paulo identificou mudanças benéficas na microbiota e metabolismo intestinal com o consumo diário de suco de laranja.

A pesquisa realizada por cientistas do Centro de Pesquisas em Alimentos (FoRC) e da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, publicado na revista Food Research International, demonstra os benefícios do consumo diário de suco de laranja para a saúde intestinal.

Pesquisa da UFG vence prêmio que incentiva alternativas ao uso de animais em pesquisa

Mestranda Lauren Dalat (PPGCF) apresentou um projeto para a substituição de animais em testes de cosméticos

Por William Correia, do Jornal UFG

A mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de Goiás (PPGCF/UFG), Lauren Dalat, foi premiada no Prêmio Lush 2024, na categoria Jovem Pesquisador. O evento foi realizado em Londres no dia 21 de maio e tem o objetivo de valorizar, a cada dois anos, ações e pesquisas que buscam eliminar ou substituir os modelos animais em testes de laboratório.

Intitulado “Plataforma multiórgãos em chip para triagem de teratogenicidade humana de cosméticos”, o projeto de Laura foi o selecionado dentre outros 14, de diversas partes do mundo. O trabalho da pesquisadora já havia sido reconhecido no final do ano passado, durante o I Congresso Brasileiro de Métodos Alternativos ao Uso de Animais na Pesquisa e no Ensino (CBMAlt).

Os resultados então apresentados indicaram o potencial uso de células-tronco humanas para o desenvolvimento de novas abordagens metodológicas (NAMs), com destaque para a identificação de compostos teratogênicos – relativos a substâncias ou agentes capazes de provocar malformações congênitas em um embrião ou feto em desenvolvimento. Em outras palavras, as descobertas podem ajudar a substituir o uso de animais nesse tipo de teste.

A novidade apresentada no Prêmio Lush é a incorporação desses conhecimentos em um sistema microfisiológico que combina um modelo de pele 3D reconstruído e componentes derivados de células-tronco dentárias. Tal arranjo poderá permitir a investigação dos potenciais efeitos teratogênicos quando exposto a cosméticos aplicados diretamente sobre a pele, em cenários mais realistas.

Para Lauren, o modelo pode suprir a carência por métodos in vitro que avaliem a teratogenicidade em produtos cosméticos disponíveis no Brasil. “Atualmente, a metodologia padrão-ouro para este desfecho, a OECD 414, é laboriosa, cara, eticamente questionável, uma vez que utiliza em média mil animais por experimento, e pode não reproduzir com acurácia respostas humanas”, afirma.

O trabalho premiado é a base do projeto que deve ser ampliado na etapa de doutorado da pesquisadora. A finalidade, conforme explica Dalat, “é desenvolver um modelo mais realista, considerando o cenário de exposição, para avaliar o desenvolvimento mesenquimal precoce humano usando um sistema fisiologicamente relevante. O plano é associá-lo à pele humana, que é a principal via de exposição aos cosméticos”.

A mestranda da UFG, que tem 25 anos, ainda manifestou orgulho por representar as pesquisadoras latino-americanas e ser uma inspiração para outras jovens que estão iniciando sua trajetória na pesquisa. “Quero dizer que a ciência é para vocês, tanto no Brasil como no exterior. Mantenham seus sonhos vivos até que eles se tornem realidade”, disse em uma de suas redes sociais.

A cerimônia do Prêmio Lush 2024 prestigiou, ao todo, 14 projetos, organizações e cientistas de nove países, com a distribuição de 250 mil libras esterlinas. Por vencer em sua categoria, Dalat fez jus a um fundo de aproximadamente R$ 66 mil na cotação atual. A ideia é que os recursos subsidiem a continuidade de estudos ou projetos que contribuam para o fim dos testes em animais.

Histórico exitoso

Não é a primeira vez que um pesquisador da UFG recebe o título nessa categoria. Em 2022, o então estudante Artur Christian Garcia da Silva, que fazia doutorado no PPGCF, foi agraciado por seus estudos envolvendo um modelo chamado lung-on-a-chip-model, que permite estudar células humanas e suas possíveis interações, auxiliando na compreensão da resposta às alergias induzidas por produtos químicos.

Já em 2017, outro doutorando do PPGCF, Renato Ivan, levou o prêmio pelo desenvolvimento de uma plataforma para avaliação do potencial alergênico de misturas da “vida real”, com ênfase em produtos naturais de tintura capilar contendo henna. Lauren, Artur e Renato têm em comum a passagem pelo Laboratório de Ensino e Pesquisa em Toxicologia In Vitro (Tox In), que fica no Centro de Pesquisas LIFE, localizado dentro do Parque Tecnológico Samambaia (PTS) da UFG.

A atuação da unidade coordenada pela professora Marize Campos Valadares, da Faculdade de Farmácia (FF) da UFG, orientadora de Dalat e dos demais premiados, já rendeu reconhecimento ao próprio grupo de estudos. Em 2018, o Tox In venceu a categoria Treinamento e Educação do Prêmio Lush, com o projeto intitulado “Disseminando métodos alternativos no Brasil e na América do Sul: educação e treinamento para a substituição de animais na Ciência”.

Fonte: PRPI

Texto publicado originalmente em jornal.ufg.br.

Pesquisa cria solução ‘três em um’ para tratar queimaduras

Farmacêutica inova ao unir vários compostos em uma mesma fórmula com o auxílio da nanotecnologia

Texto: Adriana Vilar de Menezes Foto: Antonio Scarpinetti

O desafio era minimizar as várias queixas de um paciente com queimaduras usando uma única formulação farmacêutica. A pesquisadora Janaína Artem Ataide abraçou a ideia e lançou mão da nanotecnologia para desenvolver um gel associando três ativos de classes farmacêuticas diferentes. O estudo realizado por Ataide em seu doutorado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unicamp, que também incluiu o uso de um extrato de oleaginosa nacional e ensaios para o reposicionamento da rifamicina, encontra-se em análise de patenteabilidade, a cargo da Agência de Inovação da Unicamp (Inova Unicamp).

Graduada em Farmácia, Ataide afirma que ainda há um longo caminho a percorrer até a fórmula eventualmente chegar às prateleiras. Contudo, uma vez patenteada, as chances de isso acontecer aumentam, acredita Priscila Gava Mazzola, professora da FCF e orientadora da tese. “A pesquisa ganha o olhar de outro público científico, de pesquisadores de outros lugares, além dos nossos colegas. E pode chegar às empresas, para viabilizar a condução [da produção]. Torna-se mais viável bancar o custo da pesquisa fora da Universidade, porque há mais recursos e pode haver gente 100% focada no projeto. Portanto aumentam as chances de a pesquisa continuar”, avalia Mazzola.

Segundo Ataide, as etapas ainda necessárias para a fórmula resultar em um produto incluem, por exemplo, estudos em animais e em seres humanos. “São etapas que fogem da nossa expertise e que têm alto custo”, diz a pesquisadora. “A ciência se faz em colaboração”, escreveu Ataide em sua tese, citando a frase do professor de física Brian Keating, da Universidade da Califórnia (Estados Unidos). “Nenhum cientista vai a Estocolmo [Suécia] sozinho”, disse ele referindo-se ao Prêmio Nobel.

Uma das motivações da farmacêutica para se dedicar a uma formulação voltada a vítimas de queimaduras está no boletim epidemiológico do Ministério da Saúde, segundo o qual, no período de 2015 a 2020, foram registradas 19.772 mortes por queimaduras no Brasil (de causas térmicas ou elétricas, por agentes químicos, por geladura ou por radiação). As doenças de pele são a quarta causa mais comum de enfermidades humanas em todo o mundo. “Isso afeta quase um terço da população, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde [OMS], mas são dados muitas vezes subestimados. Isso é realmente assustador”, diz Ataide.

Com a formulação desenvolvida, o paciente pode usar um único produto durante o tratamento, ao invés de utilizar três ou quatro, evitando assim trocas ou reaplicações de medicamentos diferentes, defende a autora da pesquisa. “E acho que a principal vantagem está na eficiência do sistema nanoestruturado com ativos combinados na mesma formulação farmacêutica, além de se tratar de uma pesquisa nacional, com uso de extratos naturais brasileiros”, afirmou.

A pele é o órgão mais exposto do corpo humano, portanto o que corre mais riscos, explica Ataide. Esse órgão desempenha ainda a importante função de oferecer uma barreira protetiva. Por isso, é fundamental cuidar bem da saúde da pele. “A população precisa de medicamentos eficientes, seguros, de custo relativamente baixo e disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde [SUS]”, defende.

Desafios da nanotecnologia

Em seu mestrado, também sob a orientação de Mazzola, Ataide já havia usado a nanotecnologia. Aquela pesquisa, sobre uma enzima do abacaxi, resultou em uma patente. A farmacêutica trabalhou na época com a extração da proteína bromelina do complexo enzimático do abacaxi. “Tivemos muita dificuldade com a bromelina devido à falta de estabilidade. Veio então essa ideia de usar nanotecnologia para tentar estabilizar a proteína. Foi assim que a nanotecnologia entrou na minha vida”, lembra a pesquisadora. “Foi muito desafiador.”

“De fato tratou-se de algo muito trabalhoso”, reforça Mazzola. A pesquisa utilizou um resíduo da indústria – as cascas do abacaxi – para recuperar a enzima, que então poderia ser usada pela indústria farmacêutica. Foi justamente a formulação de nanopartículas de bromelina com quitosana liofilizadas, desenvolvida no mestrado, que se transformou em patente. A fórmula pode ser aplicada como um spray sólido ou em outras preparações, como em gel para cicatrização. Desde o mestrado, portanto, orientadora e orientanda realizam ensaios com a cicatrização. “No doutorado a ideia foi continuar a trabalhar a questão das queimaduras.”

Contribuição para novas pesquisas

De acordo com Mazzola, a pesquisa de doutorado de Ataide representou a primeira vez em que o laboratório da FCF trabalhou com diferentes frentes de ação em torno de um mesmo produto. “Esse é um ponto muito importante. Os ativos são conhecidos, mas fizemos outra abordagem na forma de veiculá-los e apresentá-los. O trabalho [de Ataide] pode contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos e novas apresentações. Isso tem muito valor”, afirma a professora. Entre os apontamentos dos testes destacados na pesquisa está a propriedade das nanopartículas de servirem como carreadores de insumos farmacêuticos ativos (IFA), especialmente por conta de sua capacidade de fazer a entrega simultânea de dois ou mais IFAs e por conta de possibilitarem uma entrega direcionada.

Os testes realizados por Ataide revelam-se conclusivos quanto ao potencial das nanopartículas como carreadores de fármacos: “[As nanopartículas] são uma grande promessa nos dias atuais por transportarem medicamentos até o alvo de interesse, diminuindo os efeitos colaterais”. A tese, intitulada “Desenvolvimento de formulações de base nanotecnológica: estratégias para entrega simultânea e reposicionamento de fármacos”, contou com o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no país e no exterior, possibilitando que Ataide realizasse estudos também nos Estados Unidos, durante um ano, período no qual trabalhou o reposicionamento de fármaco da rifamicina.

Parte do doutorado transcorreu na pandemia. “Eu estava entrando na parte da formulação, quando começou a pandemia. Foi tudo suspenso. Até achei que não fosse dar para fazer nada. A primeira etapa das minhas análises transcorreu totalmente à distância. Algumas vezes eu levei as amostras, entreguei na recepção dos laboratórios parceiros e recebi as fotos na minha casa”, lembra a pesquisadora, que contou com a parceria do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

“Essas parcerias fazem toda a diferença”, afirma Ataide. “Não somos especialistas em tudo, por isso precisamos das parcerias”, reitera Mazzola. Para a professora, a pesquisa mostra-se promissora também aos olhos das instituições de fomento. “Isso é valioso porque não é fácil conseguir auxílio para pesquisa. E nós queremos transformar a nossa pesquisa em algo prático, que chegue ao paciente e ao mercado, um produto farmacêutico eficiente e acessível na prateleira”, diz a orientadora.

Publicado na Edição 705 do Jornal da Unicamp.

Texto fcf.unicamp.br

Professora da Unesp é top 5 em ranking científico internacional

Cientista integra lista dos melhores da área de Micologia, ciência que estuda os fungos

A professora Maria José Soares Mendes Giannini, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Unesp, em Araraquara, está entre os cinco melhores cientistas do mundo da área de Micologia, ciência que estuda as propriedades, aplicações e doenças causadas por fungos. O resultado foi divulgado recentemente pelo ranking científico internacional AD Scientific Index, que classifica e avalia universidades e pesquisadores de todo o planeta. 

“Confesso que foi uma surpresa e que, agora, a responsabilidade que carrego é ainda maior. Eu fico muito contente de estar ocupando este lugar e acredito que receber esse reconhecimento é uma demonstração da força da pesquisa que é realizada na Unesp, que resulta do avanço do conhecimento nessa área. Eu atribuo esse reconhecimento ao que construí ao longo da carreira, aos orientados, às publicações, às linhas de pesquisa e ao quanto ajudamos a avançar no conhecimento da micologia. Fico feliz em estar cumprindo os preceitos com os quais a universidade comunga: o ensino, a pesquisa e a extensão”, comenta a docente.  

Ao longo de sua carreira, Maria José já publicou 230 artigos científicos e produziu 21 capítulos de livros. Professora titular da Unesp, ela também é pesquisadora nível máximo (1A) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), onde é a líder do grupo de pesquisa “Interação fungo-hospedeiro”. 

Ainda na época em que defendeu seu doutorado, a cientista obteve um resultado que considera um dos mais importantes de sua trajetória profissional: pela primeira vez, foi identificada em pacientes a presença de moléculas do fungo causador da paracoccidioidomicose (PCM), a principal micose sistêmica no Brasil. Essa doença representa uma das dez principais causas de morte por doenças infecciosas e parasitárias, crônicas e recorrentes no país.

Área de atuação – O foco do campo de pesquisa da docente envolve desde aspectos mais básicos sobre os fungos, como desvendar sua estrutura e composição de moléculas, até pontos mais avançados, que estudam o mecanismo de ação desses organismos ao entrarem em contato com o ser humano ou um animal.

“Nós, particularmente, nos dedicamos a pesquisas sobre fungos de interesse médico e veterinário. As doenças oriundas de alguns fungos que investigamos podem até mesmo levar a óbito, dependendo do caso. Atualmente, com o aumento da expectativa de vida da população e o uso mais amplo de corticoides e imunossupressores, nós temos observado cada vez mais a presença desses fungos em pacientes idosos e com comorbidades, que são os mais difíceis de tratar. Infelizmente, a maioria dos antifúngicos empregados atualmente tem efeitos colaterais e podem apresentar resistência”, explica.   

Por conta dessa adversidade, outra frente de atuação do grupo de pesquisa da professora da Unesp é a busca e desenvolvimento de potenciais fármacos como antifúngicos. “Já avaliamos mais de mil extratos de plantas, por exemplo, para estudar alguns derivados desses produtos naturais para essa finalidade. Atualmente temos trabalhos com alguns desses compostos em fase de pesquisa pré-clínica,” conta Maria José.

Falando em animais, a equipe da pesquisadora também tem atuado para reduzir o uso de mamíferos em estudos científicos a partir da utilização de modelos 2D e 3D de células humanas e do uso de animais alternativos, como Galeria mellonella (traça-da-cera), Tenebrio molitor (bicho-da-farinha) e Caenorhabditis elegans (verme encontrado no solo), nos quais são testados tópicos como eficácia terapêutica, segurança toxicológica e resposta imune. Além de terem se mostrado eficazes, esses métodos não convencionais são de baixo custo, mais rápidos e permitem o uso de uma quantidade maior de animais, sem esbarrar em questões éticas. 

Sobre o ranking – O AD Scientific Index. é o primeiro e único estudo que mostra tanto o coeficiente geral de produtividade dos cientistas ao longo da carreira como o recorte dos últimos seis anos. (Clique aqui para conferir a metodologia detalhada do ranking)

Ao todo, são nove parâmetros utilizados pelo sistema para classificar pesquisadores em diversas áreas do conhecimento, como: Agricultura, Engenharia e Tecnologia, História, Filosofia, Teologia, Estudos Jurídicos, Ciências Médicas, Ciências Naturais, Ciências Sociais, entre outras. 

O levantamento analisa estudos de 219 países, 23 mil universidades/instituições e mais de 1,6 milhão de cientistas, fornecendo avaliações com base no desempenho acadêmico e no valor agregado da produtividade científica de cientistas individuais, incluindo a avaliação de revistas e universidades.

Maria José aproveitou o reconhecimento obtido no ranking para fazer um alerta a respeito do tema fungos, destacando a necessidade de mais atenção por parte de diferentes grupos da sociedade acerca do assunto, pois até problemas considerados mais simples podem desencadear complicações severas.

“O que a população mais conhece são as micoses superficiais que afetam a pele e as unhas. Um exemplo é a frieira. Esse tipo de infecção também precisa ser vista com cuidado, pois pode comprometer um paciente com alterações imunológicas. Precisamos de mais atenção das pessoas, das autoridades e da classe médica com as doenças fúngicas, que infelizmente muitas vezes são negligenciadas, finaliza”. 

Contato para esta pauta (Imprensa)
Assessoria de Comunicação da FCF/Unesp
E-mail: henrique.fontes@unesp.br
Whatsapp: (16) 9 9727-2257

reportagem publicada originalmente em fcfar.unesp.br

Anunciadas as vencedoras do Prêmio Mulheres Brasileiras na Química 2024

WASHINGTON, 13 de maio de 2024 — A American Chemical Society (ACS) e a Sociedade Brasileira de Química (SBQ) têm o prazer de anunciar as vencedoras do 7º Prêmio Mulheres Brasileiras na Química. Os prêmios serão entregues no dia 24 de maio, na 47ª Reunião Anual da SBQ, em Águas de Lindoia, SP.

O “Prêmio Mulheres Brasileiras na Química” tem como objetivo promover a igualdade de gênero, com foco na comunidade química brasileira, e reconhecer o impacto da diversidade na pesquisa científica em Química. Assim, o prêmio busca reconhecer mulheres cientistas com contribuições relevantes e pesquisas de destaque em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).

Líder Emergente em Química: Elisama Vieira dos Santos

Esse prêmio reconhece as realizações de uma jovem cientista ou empreendedora notável em Química. Elisama é professora associada no Departamento de Química da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Sua pesquisa se concentra no desenvolvimento de processos eletroquímicos para um ambiente mais limpo, usando hidrogênio verde como vetor de energia para processos eletroquímicos. Palestras e eventos sociais conduzidos por Elisama centram-se na divulgação científica e ações pela igualdade de gênero. Suas realizações incluem a autoria de mais de 100 artigos publicados, a realização de mais de 135 apresentações em congressos nacionais e internacionais e o depósito de uma patente. Ela é membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências.

Liderança Acadêmica: Lucia Helena Mascaro

Esse prêmio reconhece uma mulher com uma formação estabelecida na academia e cuja contribuição para a pesquisa científica em Química tem um impacto global e social. Lucia é professora titular no Departamento de Química da Universidade Federal de São Carlos. Atua também como pesquisadora associada do Centro de Desenvolvimento de Materiais Funcionais (sediado na UFSCar) e do Centro de Inovação em Novas Energias (sediado na Unicamp) e é editora associada da Química Nova. É especialista em Físico-Química, com foco em Eletroquímica: produção de hidrogênio, fotoeletrocatálise, eletrodeposição de ligas metálicas e semicondutores e corrosão. Ocupou cargos de liderança em várias sociedades de Química e coordena projetos em energia e sustentabilidade financiados por várias agências governamentais brasileiras. Orientou dezenas de estudantes de graduação e pós-graduação.

Os prêmios são oferecidos pela ACS e pela SBQ e patrocinados pelo CAS e ACS Publications, divisões da American Chemical Society. Cada vencedora receberá um prêmio em dinheiro de US$ 2.000, um ID SciFinder válido por um ano, um ano de associação à ACS e à SBQ, um certificado de premiação em inglês, uma placa de homenagem em português e uma assinatura de curso através do ACS Institute.

Sobre a American Chemical Society:

A American Chemical Society é uma organização sem fins lucrativos registrada pelo Congresso dos Estados Unidos. Com mais de 200 mil indivíduos, a ACS é a maior sociedade científica do mundo. Para obter mais informações, visite acs.org.

Sobre a Sociedade Brasileira de Química:

A Sociedade Brasileira de Química (SBQ) foi fundada em 1977 com o objetivo de promover o desenvolvimento e a disseminação do conhecimento em Química no Brasil. Para obter mais informações, visite sbq.org.br.

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Cientistas do Brasil e da Índia criam tratamento promissor contra tumores sólidos

Agência FAPESP* –Ricardo Muniz | Agência FAPESP – Artigo publicado recentemente no Journal of Controlled Release detalha o resultado de colaboração científica internacional que desenvolveu uma alternativa para o tratamento dos tumores sólidos por meio da inibição do chamado microambiente tumoral inflamatório (tumour microenvironment ou TME).

Tumores sólidos costumam ser os tipos de câncer de tratamento mais desafiador por causa da dificuldade de penetração dos fármacos. O microambiente tumoral inflamatório, onde os tumores estão alojados, contém várias células e substâncias do próprio paciente que impedem as células de defesa de combater o tumor. “Muitas vezes essas células e moléculas ajudam o tumor a crescer e, por isso, dizemos que ele escapa da vigilância do sistema imune”, explica Lúcia Helena Faccioli, professora titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP) e coordenadora da Central de Quantificação e Identificação de Lipídeos (Ceqil), instalada com apoio da FAPESP por meio do Programa Equipamentos Multiusuários.

“Há sempre um cabo de guerra entre células imunológicas promotoras e inibidoras de tumores no TME, onde metabólitos, mediadores lipídicos, citocinas e quimiocinas desempenham um papel importante no domínio da natureza imunossupressora”, escrevem os autores do artigo, que incluem a pesquisadora Viviani Nardini, do Departamento de Análises Clínicas, Toxicológicas e Bromatológicas da FCFRP-USP, e cientistas de instituições indianas liderados por Avinash Bajaj, chefe do Laboratório de Nanotecnologia e Química Biológica do Centro Regional de Biotecnologia de Faridabad, no estado indiano de Haryana.

A equipe desenvolveu nanomicelas – partículas muito pequenas, medindo entre 1 e 100 nanômetros – compostas de diferentes substâncias e, por isso, chamadas de quimeras. As nanomicelas quiméricas produzidas são compostas por fosfolipídios (NMs), docetaxel (DTX), substância usada para matar as células tumorais, e dexametasona (DEX), um anti-inflamatório muito empregado para diminuir a produção de várias substâncias inflamatórias, como a prostaglandina E2 (PGE2).

Os estudos em animais de laboratório mostraram que essas partículas (NMs+DTX+DEX), ministradas por via intravenosa, foram muito eficientes, diminuindo o tamanho de tumores e aumentando a sobrevida dos animais: os não tratados morrem sempre ao redor de 28-30 dias, mas os tratados sobrevivem até 44-50 dias, explica Faccioli.

“O tratamento induziu uma diminuição superior a cinco vezes no volume do tumor em comparação com tumores não tratados no modelo de câncer de cólon”, detalha Bajaj. As nanomicelas reduziram e alteraram as células presentes ao redor do tumor, aquelas que impedem a ação do sistema imune, favoreceram o aumento de tipos específicos de leucócitos que matam células tumorais e também inibiram a liberação de PGE2, substância inflamatória presente no microambiente tumoral que diminui a ação antitumoral de determinadas células de defesa.

“Embora esses estudos tenham sido feitos em animais, os resultados são muito promissores e abrem possibilidades de estudos em humanos, já que as partículas são formadas por compostos já aprovados para utilização humana”, comemora Faccioli, que realizou seu pós-doutorado no National Heart and Lung Institute da Universidade de Londres.

Além da USP e do laboratório coordenado por Avinash Bajaj, participam da pesquisa o Amity Institute of Integrative Sciences and Health (Haryana), o Departamento de Cirurgia Oncológica do All India Institute of Medical Sciences (Nova Déli), o Instituto Nacional de Imunologia (Nova Déli) e o Instituto Nacional de Genômica Biomédica (Kalyani, Bengala Ocidental).

O artigo Engineered nanomicelles inhibit the tumour progression via abrogating the prostaglandin-mediated immunosuppression pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0168365924001615.
 

Tumores sólidos costumam ser os tipos de câncer de tratamento mais desafiador por causa da dificuldade de penetração dos fármacos. O microambiente tumoral inflamatório, onde os tumores estão alojados, contém várias células e substâncias do próprio paciente que impedem as células de defesa de combater o tumor. “Muitas vezes essas células e moléculas ajudam o tumor a crescer e, por isso, dizemos que ele escapa da vigilância do sistema imune”, explica Lúcia Helena Faccioli, professora titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FCFRP-USP) e coordenadora da Central de Quantificação e Identificação de Lipídeos (Ceqil), instalada com apoio da FAPESP por meio do Programa Equipamentos Multiusuários.

“Há sempre um cabo de guerra entre células imunológicas promotoras e inibidoras de tumores no TME, onde metabólitos, mediadores lipídicos, citocinas e quimiocinas desempenham um papel importante no domínio da natureza imunossupressora”, escrevem os autores do artigo, que incluem a pesquisadora Viviani Nardini, do Departamento de Análises Clínicas, Toxicológicas e Bromatológicas da FCFRP-USP, e cientistas de instituições indianas liderados por Avinash Bajaj, chefe do Laboratório de Nanotecnologia e Química Biológica do Centro Regional de Biotecnologia de Faridabad, no estado indiano de Haryana.

A equipe desenvolveu nanomicelas – partículas muito pequenas, medindo entre 1 e 100 nanômetros – compostas de diferentes substâncias e, por isso, chamadas de quimeras. As nanomicelas quiméricas produzidas são compostas por fosfolipídios (NMs), docetaxel (DTX), substância usada para matar as células tumorais, e dexametasona (DEX), um anti-inflamatório muito empregado para diminuir a produção de várias substâncias inflamatórias, como a prostaglandina E2 (PGE2).

Os estudos em animais de laboratório mostraram que essas partículas (NMs+DTX+DEX), ministradas por via intravenosa, foram muito eficientes, diminuindo o tamanho de tumores e aumentando a sobrevida dos animais: os não tratados morrem sempre ao redor de 28-30 dias, mas os tratados sobrevivem até 44-50 dias, explica Faccioli.

“O tratamento induziu uma diminuição superior a cinco vezes no volume do tumor em comparação com tumores não tratados no modelo de câncer de cólon”, detalha Bajaj. As nanomicelas reduziram e alteraram as células presentes ao redor do tumor, aquelas que impedem a ação do sistema imune, favoreceram o aumento de tipos específicos de leucócitos que matam células tumorais e também inibiram a liberação de PGE2, substância inflamatória presente no microambiente tumoral que diminui a ação antitumoral de determinadas células de defesa.

“Embora esses estudos tenham sido feitos em animais, os resultados são muito promissores e abrem possibilidades de estudos em humanos, já que as partículas são formadas por compostos já aprovados para utilização humana”, comemora Faccioli, que realizou seu pós-doutorado no National Heart and Lung Institute da Universidade de Londres.

Além da USP e do laboratório coordenado por Avinash Bajaj, participam da pesquisa o Amity Institute of Integrative Sciences and Health (Haryana), o Departamento de Cirurgia Oncológica do All India Institute of Medical Sciences (Nova Déli), o Instituto Nacional de Imunologia (Nova Déli) e o Instituto Nacional de Genômica Biomédica (Kalyani, Bengala Ocidental).

O artigo Engineered nanomicelles inhibit the tumour progression via abrogating the prostaglandin-mediated immunosuppression pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0168365924001615.
 

Reportagem publicada originalmente em Agência FAPESP.

Estudos em modelagem simulam medicamento para tuberculose em público pediátrico

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) iniciou o uso de modelagem de simulação computacional para realizar estudos não clínicos em medicamentos pediátricos dispersíveis em água para bebês, crianças e adolescentes. A nova metodologia é inovadora e oferece uma solução para acelerar a comprovação da segurança e da eficácia de medicamentos em diferentes estratos da população pediátrica. A estratégia computacional, chamada de estudo in silico, está sendo utilizada para o desenvolvimento tecnológico de uma nova associação tuberculostática, contendo Isoniazida e Rifampicina com indicação pediátrica. Esse estudo inovador consiste na criação de um modelo de simulação biofarmacêutica baseado em fisiologia, que foi construído a partir de dados históricos de biodisponibilidade tanto da associação em dose fixa combinada de Rifampicina e Isoniazida como da Isoniazida monodroga em adultos e complementado com dados de literatura.

A idealizadora do projeto e responsável pela Divisão de Gestão de Desenvolvimento Tecnológico de Farmanguinhos, Juliana Johansson, explica como foi o processo de estruturação da estratégia in silico. “Utilizamos um arcabouço vasto de informações farmacocinéticas e fisiológicas para a construção deste modelo, no qual a fisiologia humana e os aspectos biofarmacêuticos das moléculas estudadas foram simulados computacionalmente. Coletamos dados do desempenho farmacocinético de medicamentos feitos a partir destas moléculas em adultos e as informações foram utilizadas para construir e validar o modelo. Em seguida, a ferramenta foi aplicada para extrapolar a farmacocinética de ambos os fármacos para os diferentes estratos das populações pediátricas. Assim, foi possível predizer o comportamento da formulação em desenvolvimento no organismo das crianças de diferentes faixas etárias”, detalha.  

A modelagem contribuirá principalmente para verificar a dose correta para cada tipo de público pediátrico, desde os bebês até as crianças em idades pré-escolar e escolar, demonstrando o comportamento dos fármacos em cada organismo. “Não é adequado conduzir os testes clínicos em adultos e assumir como premissa que apenas o ajuste de dose para o peso da criança vai ser suficiente. Quando falamos em crianças, deve-se considerar que esses indivíduos têm uma curva de maturação que apresenta caraterísticas únicas para cada idade. São observadas variações fisiológicas importantes referentes à ontogenia pediátrica, como por exemplo diferenças em tamanhos de órgãos e expressão de enzimas, entre outras variações. Consequentemente, podem ocorrer diferenças no comportamento dos medicamentos.”, conta.

A nova metodologia está sendo utilizada para estudos no medicamento dispersível, que o comprimido dissolve no copo ou colher, favorecendo a aceitação e a ingestão. “O formato dispersível favorece a adesão da criança, sem gerar repulsa para que os comprimidos sejam tomados e reduzindo a falha no tratamento, principalmente na utilização a longo prazo, como é no caso da tuberculose. Outro benefício desta apresentação é que na forma sólida os ativos estão concentrados no comprimido, que é acondicionado em blísteres. Estas embalagens são bem mais leves e menos frágeis do que os vidros para líquidos, então existe toda uma cadeia de logística que se beneficia. Existem vantagens desde a saída da indústria, com o frete do produto, até o próprio manuseio pela família, já que as embalagens de líquidos podem vazar ou quebrar em bolsas ou mochilas. Por fim, a forma sólida tende a ser quimicamente mais estável.”, destaca Juliana. 

O serviço, que já é discutido em âmbito internacional, é prestado pela empresa Simulations Plus, da Califórnia, e realizado em parceria com o Instituto de Ciências Farmacêuticas, de Goiás. Todo o projeto vem sendo avaliado e discutido em todos os pontos, com levantamento de justificativas junto à Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) e em fóruns internacionais.  

Os próximos passos do estudo são a conclusão do desenvolvimento farmacêutico em 2024 e a fabricação do medicamento experimental segundo as Boas Práticas de Fabricação por Farmanguinhos, em 2025. Este novo medicamento será submetido a estudo de farmacocinética in vivo em adultos para gerar as informações que serão extrapoladas in silico pelo modelo para a fisiologia pediátrica. 

A ferramenta in silico para estudos de farmacometria em populações pediátricas foi parte do tema da defesa do doutorado profissional em Gestão, Pesquisa e Desenvolvimento na Indústria Farmacêutica de Farmanguinhos da pesquisadora. Juliana participou da primeira turma, com conclusão em setembro de 2023.

Reportagem publicada originalmente em agencia.fiocruz.br, por Viviane Oliveira (Farmanguinhos)

Pesquisadores vão avaliar alimentos nativos do Brasil que podem ajudar na saúde mental

Grupo de Pesquisa Alimentos, Nutrição e Saúde Mental, criado no Instituto de Estudos Avançados da USP, vai estudar alimentos como o guaraná, que já é conhecido por seus efeitos na prevenção e tratamento de doenças crônicas, como as cardiovasculares, câncer, diabetes e obesidade

Investigar o potencial de certos alimentos nativos do Brasil como componentes de um padrão alimentar protetor da saúde mental é o objetivo do Grupo de Pesquisa Alimentos, Nutrição e Saúde Mental, criado em março no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP. A pesquisa leva em consideração o fato de que já são conhecidos os efeitos desses alimentos na prevenção e no tratamento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como as cardiovasculares, câncer, diabetes e obesidade. 

Coordenado pelas professoras da USP Elizabeth Aparecida Ferraz da Silva Torres, da Faculdade de Saúde Pública (FSP), e Flávia Mori Sarti, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), respectivamente coordenadora e vice-coordenadora, o grupo terá a duração de três anos, com atividades articuladas com parceiros acadêmicos ou não, nacionais e internacionais.

A perspectiva é que os trabalhos resultem em sugestões aos organismos governamentais envolvidos na elaboração de políticas públicas relacionadas com alimentação e saúde mental, além de publicações em veículos acadêmicos e ações de educação alimentar.

As coordenadoras ressaltam que o Transtorno Depressivo Maior (TDM) é uma questão de saúde pública relevante, dada sua prevalência ao longo da vida (de 4,4% a 20% da população em geral). “Estudos adicionais destacam essa enfermidade como uma das principais contribuintes para o impacto econômico relacionado aos gastos com saúde pública e à carga global de doenças projetada para o ano de 2030”.

No entanto, há uma elevada taxa de resistência terapêutica em relação ao TDM, “com notável incidência de suicídio em indivíduos não responsivos ao tratamento”, além de um ônus financeiro elevado para as pessoas nessa condição. Esse quadro impõe, afirmam, a necessidade premente de desenvolvimento de novas alternativas de intervenção terapêutica para a prevenção e controle do TDM.

Na proposta apresentada ao Conselho Deliberativo do IEA para criação do grupo, as pesquisadoras enfatizam que o consumo alimentar e a qualidade da dieta exercem impacto direto na função cerebral, tornando a dieta uma variável modificável para a manutenção da saúde mental, do humor e do desempenho cognitivo. Segundo elas, diversos estudos indicam que certos alimentos nativos do Brasil, como o guaraná, têm participação na redução de risco e controle de Doenças Crônicas Não Transmissíveis, mas, surpreendentemente, dietas como a mediterrânea, a Dash (sigla em inglês para Abordagem Dietética para Controle da Hipertensão) e a fusão das duas, a chamada dieta Mind (sigla em inglês para Intervenção Mediterrânea-Dash para Atraso Neurodegenerativo), não incluem esses alimentos como potenciais promotores da saúde mental.

As coordenadoras destacam que evidências científicas recentes apontam a existência de uma relação direta entre a nutrição ao longo da vida e a saúde mental: “Indicam que a composição, estrutura e função cerebral estão intrinsecamente ligadas à disponibilidade de nutrientes apropriados, que desempenham papéis cruciais em processos metabólicos, incluindo a modulação de hormônios intestinais endógenos, neuropeptídeos, neurotransmissores e a regulação da microbiota intestinal”.

Outro aspecto a ser considerado é a associação entre níveis elevados de mediadores inflamatórios e o surgimento e progressão de transtornos neuropsiquiátricos, logo, compostos com propriedades anti-inflamatórias presentes em alimentos podem ser considerados possíveis auxiliares no controle do TDM, afirmam as pesquisadoras.Diante disso, elas julgam fundamental a condução de estudos com alimentos nativos do país ricos em compostos bioativos (polifenóis, carotenoides, minerais e vitaminas) para que seja definido um padrão alimentar brasileiro. “Isso permitiria a inclusão desses alimentos na rotina alimentar da população, possibilitando a produção de alimentos funcionais e suplementos alimentares que contribuam para a proteção da saúde mental”.

O projeto do grupo inclui a criação de grupos de discussão e a realização de workshops, seminários e webinars, com o objetivo de promover o diálogo intersetorial e a disseminação da educação em saúde. Além das sugestões a serem apresentadas a órgãos públicos, os resultados obtidos deverão resultar em livros técnicos e artigos a serem propostos a revistas científicas de alto impacto. Os trabalhos deverão ter divulgação via séries de podcasts, redes sociais e por intermédio dos meios de comunicações tradicionais.

Coordenação

Elizabeth Torres é professora associada do Departamento de Nutrição da FSP e colaboradora do Departamento de Alimentação e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP. Atua em quatro linhas de pesquisa da área de ciência e tecnologia de alimentos: lipídios, ácidos graxos, colesterol, fitoesterol e seu produtos de oxidação; antioxidantes e substâncias bioativas; carnes, aves e pescados; microssomos, lipossomos e sistemas-modelo. Flavia Mori Sarti é professora associada da EACH na área de economia e políticas públicas. Seus temas de interesse em pesquisa são: avaliação de tecnologias em saúde; avaliação econômica de programas em saúde; políticas públicas de saúde, alimentação e nutrição; marketing nutricional; cadeias de produção e padrões de consumo de alimentos.

.Por Mauro Bellesa da Assessoria de Comunicação do IEA/USP 

Reportagem publicada originalmente em Jornal.usp.br

CFF lança nova edição de Infarma – Ciências Farmacêuticas

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Já está disponível o volume 35, nº 4, da publicação do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Infarma Ciências Farmacêuticas.

Entre os temas apresentados nesta esta, está a evolução dos estudos acadêmicos sobre Farmácia Clínica no Brasil. A pesquisa “Antibacterianos e Automedicação em Nível Nacional”, fez uma revisão integrativa sobre a automedicação de antibacterianos, demonstrando os impactos para a saúde. Também é apresentada uma revisão da literatura acerca do uso de medicamentos por hipodermóclise no artigo “Hipodermóclise: uma revisão de evidências para auxiliar no cuidado ao paciente crítico”.

Já em outro artigo é feita uma revisão sobre o cuidado farmacêutico ao idoso na assistência domiciliar, em uma pesquisa realizada no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Em Ananindeua, no Pará, o uso de anti-inflamatórios não esteroidais por universitários foi levantado por pesquisadores da Universidade da Amazônia (UNAMA). Finalmente, Schuring et al., analisam o impacto da Farmácia Clínica como temática na produção acadêmica brasileira de 2001 a 2021.

Ainda nesta edição, a Infarma trata sobre a formulação de alisantes capilares no artigo “Identificação e quantificação de formaldeído livre em alisantes capilares”. O texto relata as análises qualitativas, semiquantitativas e quantitativas para formaldeído em amostras de alisamento capilar recolhidas em um salão de beleza da Zona Norte de Porto Alegre, RS. Já o estudo sobre o açaizeiro, buscou investigar a caracterização física, bromatológica e fitoquímica do fruto da Euterpe oleracea Mart.

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Notícia publicada originalmente em CFF.org.br

VII ABCF Congresso destaca o papel das Ciências Farmacêuticas

A Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas (ABCF) realizará o VII ABCF Congresso, de 11 a 14 de novembro de 2024, no Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis.

O evento é realizado a cada dois anos e esta edição terá como tema “Pharmaceutical sciences in promoting technological innovation to guarantee healthcare access”, com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 3 e 9 definidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) e na Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Ambos os documentos colocam as Ciências Farmacêuticas como ponto fundamental para o desenvolvimento do país.

O ODS 3 (Saúde e Bem-estar) visa garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todas as pessoas, em todas as idades. Já o ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura) visa construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.

Além disso, o Congresso também traz para suas discussões as premissas e as ações decorrentes do Decreto 11.715.23, que estabelece a Estratégia Nacional para o Desenvolvimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, criado com a finalidade de orientar os investimentos públicos e privados nos segmentos produtivos da saúde e em inovação, buscando soluções produtivas e tecnológicas para enfrentar desafios na área, reduzir a vulnerabilidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliar o acesso aos serviços públicos de saúde no Brasil.

Com base nesses fundamentos, o VII ABCF Congresso tem como objetivo ampliar o debate com pesquisadores, universidades e instituições científicas para integrar políticas públicas do setor e contribuir com soluções inovadoras oriundas das Ciências Farmacêuticas, promovendo troca de experiências, networking, discussões e atualizações essenciais entre pesquisadores, profissionais e especialistas.
As inscrições e submissão de trabalhos para o congresso podem ser feitas a partir de 6 de maio, por meio do site oficial do evento. Associados da ABCF têm quase 50% de desconto na inscrição.

Agenda

Inscrições: 06/05

Submissão de Resumos: 06/05 a 23/06

Prazo para Avaliação dos Resumos: 05/08

Prazo de pagamento da Inscrição para Confirmação do Resumo: 30/09

ABCF Congress – 11 a 14/11

Para mais informações e inscrições, visite o site oficial do evento em www.congress.abcfarm.org.br.

Sobre a ABCF

A Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas (ABCF) é uma organização dedicada à promoção e desenvolvimento das Ciências Farmacêuticas no Brasil. A ABCF tem uma história de compromisso com a excelência acadêmica e a inovação na área farmacêutica, a ABCF busca impulsionar avanços significativos no setor e contribuir para a melhoria da saúde e bem-estar da população.