A Associação Brasileira em Ciências Farmacêuticas (ABCF) acompanha com preocupação as tensões recentes que envolvem as eleições de 2026 e, a exemplo da SBPC e da ABC, reitera a preocupação com o futuro do país.
Não cabe à ABCF julgar os fatos recentes, interesse pessoais e partidários, ou antecipar juízos sobre responsabilidades individuais, mas sim, com responsabilidade, se dirigir a nossa comunidade para defender os princípios democráticos e os pilares que sustentam a ciência e a tecnologia para a construção de uma país soberano, inclusivo e com justiça social.
O Brasil constrói e aperfeiçoa sua democracia por gerações, sendo destaque internacional e superando nações mais maduras e historicamente consolidadas. A defesa da democracia brasileira deve ser permanente e sem espaço para o atropelo de suas instituições ou para o autoritarismo. A intolerância política deve ser rechaçada e o respeito às individualidades e livre pensamento garantidos.
O respeito à constituição federal e aos direitos e garantias que orientam as políticas públicas e o funcionamento do Estado brasileiro são inegociáveis. Acreditamos que nenhum projeto consistente de desenvolvimento do país é capaz de prosperar sem pautar a Educação e a Ciência como políticas de Estado. É fundamental garantir a educação pública, gratuita, inclusiva e de qualidade, como base para a redução das desigualdades, inserida em um modelo de universidades públicas fortes, autônomas e socialmente referenciadas.
A ABCF vê com preocupação os planos defendidos por alguns setores da sociedade, que incluem a mudança no modelo de governança das universidades, com a retirada das universidades federais da estrutura do Ministério da Educação (MEC) e sua transferência para o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O MEC possui orçamento atrelado à receita Líquida de Impostos (RLI), enquanto o MCTI não possui nenhuma vinculação constitucional de piso mínimo federal de gastos. Isso poderia causar um colapso financeiro devido à asfixia orçamentária, forçando a suspensão e funcionamento de cursos e comprometendo os campi no interior do país, recém-criados ou voltados para a inclusão regional.
Sem assistência estudantil e inclusão social, a evasão acadêmica certamente vai disparar. Além disso, o MEC coordena a formulação das políticas educacionais do país, garantindo a sintonia na formação de professores com as diretrizes curriculares nacionais. O elo entre a pesquisa universitária e a prática pedagógica das escolas não pode ser destruído, mas deve ser preservado e aprofundado pela construção de uma universidade pública, democrática, diversa e inclusiva.
O desenvolvimento científico e tecnológico do país está intrinsecamente relacionado à Universidade Brasileira, a qual constitui uma das principais infraestruturas estratégicas do Estado brasileiro para garantir a evolução tecnológica, enfrentar e reduzir as desigualdades sociais e regionais, bem como a proteção dos biomas, o enfrentamento da emergência climática, o fortalecimento do Sistema Único de Saúde e da educação pública.
O Brasil tem um papel importantíssimo no cenário global atual, não somente pela sua riqueza em recursos naturais, biodiversidade e capacidade energética, mas também por sua capacidade técnico-científica construída com a Universidade Brasileira. A ABCF manifesta preocupação e alerta para a possibilidade de interferência internacional e do sucesso de projetos autoritários sem responsabilidade social, que passam pela desarticulação das capacidades das Universidades Brasileiras e da política nacional de ciência e tecnologia.
A ABCF defende o processo eleitoral brasileiro democrático, o qual pertence exclusivamente ao povo brasileiro e convida toda a sociedade a participar deste debate e se manifestar em favor da democracia, da Universidade pública e das políticas públicas de ciência e tecnologia para a construção de um Brasil soberano.

