NOTA DE REPÚDIO AO ESGOTAMENTO DA COTA DE IMPORTAÇÃO DO CNPq PARA PESQUISA CIENTÍFICA

A Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas (ABCF), sociedade científica que há décadas representa pesquisadores(as), docentes, estudantes e profissionais da área de Ciências Farmacêuticas no Brasil, manifesta profunda preocupação com o recorrente esgotamento da cota de importação destinada à pesquisa científica, tecnológica e de inovação, administrada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A cota de importação é amparada pela Lei nº 8.010/1990, que prevê isenção tributária para importação de bens, insumos, reagentes, equipamentos, matérias-primas e produtos intermediários destinados à pesquisa científica e tecnológica. Esse mecanismo é essencial para a manutenção das atividades de pesquisa no país, especialmente em áreas altamente dependentes de insumos importados, como as Ciências Farmacêuticas.

Nos últimos anos, observa-se uma redução progressiva da cota global anual autorizada pelo Ministério da Fazenda, passando de aproximadamente US$ 400 milhões em 2023 para US$ 265 milhões em 2024 e US$ 229 milhões em 2025. Tal redução ocorre justamente em um momento de retomada dos investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil, configurando uma contradição que compromete a efetividade dos recursos destinados à pesquisa.

O esgotamento precoce da cota em 2026 compromete diretamente a continuidade de projetos científicos, o funcionamento de laboratórios, a aquisição de reagentes e padrões analíticos, o desenvolvimento de novos medicamentos, produtos e tecnologias em saúde, além da formação de recursos humanos altamente qualificados. A limitação imposta à importação de insumos impacta significativamente áreas estratégicas relacionadas à saúde pública, desenvolvimento farmacêutico, nanotecnologia, biotecnologia, vigilância sanitária e análises clínicas.

Além dos impactos científicos e tecnológicos, a instabilidade relacionada à previsão de duração anual da cota gera insegurança para pesquisadores(as), universidades, institutos de pesquisa e fundações de apoio, dificultando o planejamento de médio e longo prazo dos projetos financiados com recursos públicos.

Nesse contexto, a ABCF corrobora as recomendações apresentadas pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na nota técnica “Cota de Importação do CNPq para Pesquisa Científica: Diagnóstico, alternativas jurídicas e recomendações para solução estrutural”, publicada em 30 de abril de 2026, que propõe, entre outras medidas:

• suplementação emergencial da cota de importação para o exercício de 2026;
• atualização da Lei nº 8.010/1990;
• estabelecimento de mecanismo permanente de recomposição e atualização da cota;
• regulamentação clara e uniforme para utilização da imunidade tributária constitucional aplicável às instituições públicas de pesquisa.

A ABCF entende que o fortalecimento da ciência brasileira exige não apenas a ampliação dos investimentos em pesquisa, mas também condições estruturais que assegurem a execução adequada desses recursos. A ABCF repudia o cenário recorrente de insuficiência da cota de importação para pesquisa científica e reafirma seu compromisso inegociável com a defesa da ciência, da educação, da inovação e da soberania científica e sanitária nacional, reconhecendo que o desenvolvimento científico depende de condições estruturais adequadas para que pesquisadores(as), instituições e estudantes possam exercer plenamente suas atividades. 

Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas – ABCF

ABCF convida comunidade científica para debate sobre investimentos em ciência e inovação na Câmara dos Deputados

A ciência brasileira estará no centro das discussões da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados no próximo dia 13 de maio, às 10h30, no Plenário 13 – Anexo II, em Brasília (DF). O encontro contará com transmissão ao vivo pelo YouTube da Câmara dos Deputados.

Representando o CNPq, a pesquisadora Mônica Felts, diretora científica da instituição, participará da Reunião Técnica “CT&I e a Política Industrial: como a Ciência é fundamental para a NIB (Nova Indústria Brasil)”. O encontro reunirá pesquisadores, parlamentares e representantes da comunidade científica para discutir como os investimentos em ciência, tecnologia e inovação contribuem para o fortalecimento da indústria brasileira e para o desenvolvimento econômico e social do país. 

A proposta é ampliar o diálogo sobre a importância dos investimentos em pesquisa, educação e inovação como pilares fundamentais para o crescimento do país, além de reforçar a necessidade de políticas públicas voltadas ao fortalecimento da produção científica nacional.

A Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas convida pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais da área que estiverem em Brasília a participarem deste importante momento de mobilização em defesa da ciência brasileira e do avanço das políticas de CT&I.

Serviço

Reunião Técnica – Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados

📅 13 de maio de 2026

⏰ 10h30

📍 Plenário 13 – Anexo II, em Brasília

Transmissão ao vivo pelo YouTube