Conservação de espécies do bioma Caatinga visa à produção de fármacos e medicamentos fitoterápicos

Estudo da UNIVASF identifica substâncias inéditas em plantas da Caatinga; resultado do trabalho será apresentado no V Congresso da ABCF


Jackson Roberto Guedes, palestrante

A Caatinga ocupa cerca de 844.453 km², o que equivale a 11% do território nacional. Restrito ao território brasileiro, o bioma possui 932 espécies de plantas, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. Sua biodiversidade possibilita a produção de fármacos e medicamentos como estratégia para o uso racional e sustentável dos recursos naturais, auxiliando na conservação das espécies do bioma Caatinga.

A Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF) desenvolve pesquisas com diversas espécies da região, algumas já listadas como ameaçadas de extinção no passado, com potencial de aproveitamento pela indústria farmacêutica nacional. “O objetivo é mostrar o potencial químico e farmacológico dessas plantas, porque algumas delas podem desaparecer em algumas áreas da Caatinga devido à degradação do bioma sem que tenhamos conhecimento da constituição química dessas plantas e do potencial farmacológico que elas têm”, explica Jackson Roberto Guedes, pesquisador e Professor Associado do curso de Farmácia da UNIVASF.

Dentre as plantas pesquisadas estão as espécies da família Bromeliaceae, a Bromelia laciniosa, conhecida popularmente como macambira, a Encholirium spectabile Mart. Ex Schult. f., conhecida como macambira-de-flecha e Neoglaziovia variegata, conhecida como caroá. “Identificamos algumas substâncias descritas pela primeira vez na literatura e focamos os estudos na avaliação da atividade antioxidante, antimicrobiana, antinociceptiva, anti-inflamatória e também na avaliação sobre o sistema nervoso central. Observamos que, além do potencial químico bem interessante como novas moléculas que foram identificadas, essas espécies têm atividades biológicas comprovadas em modelos experimentais. Nós realizamos também estudos para avaliar a atividade fotoprotetora dessas plantas, mostrando o potencial para a indústria de cosméticos”, destaca Jackson.

Segundo o pesquisador, apesar de serem espécies que não são muito utilizadas na medicina popular, podem ser empregadas na descoberta de medicamentos fitoterápicos e também na indústria de cosméticos. Os resultados dos estudos químicos e farmacológicos realizados na UNIVASF com espécies do bioma Caatinga serão apresentados no V Congresso da ABCF, no dia 1 de outubro, às 15h, na sala virtual 2. Os participantes receberão por e-mail o atalho para entrar nas salas e acompanhar as palestras e instruções para apresentação de trabalhos.


V Congresso da ABCF
De 1 a 3 de outubro
Inscrição: congresso.abcfarm.org.br
O Congresso é gratuito para associados. Para os demais participantes, o valor da inscrição é revertido em admissão como associado à ABCF.
Anuidade:
Graduandos (associados colaboradores): R$ 35,00
Pós-graduandos: R$ 85,00
Profissionais (incluindo pós-doutorandos): R$ 120,00

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