A Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas (ABCF) manifesta sua mais profunda indignação diante do incêndio de grandes proporções que atingiu, em 7 de outubro de 2026, laboratórios científicos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em especial os vinculados às Ciências Farmacêuticas.
É o terceiro incêndio registrado na instituição em apenas cinco dias. O último atingiu uma infraestrutura científica que abrigava equipamentos estimados em R$ 100 milhões, muitos deles adquiridos com recursos públicos. Ali não se produziam apenas artigos científicos. Produziam-se conhecimento, inovação, exames especializados, tecnologias e formação de mestres e doutores. Ali trabalhavam pesquisadores de excelência, muitos deles formados nas mais prestigiadas universidades do mundo. Ali também se construiu parte da capacidade científica que ajudou o Brasil a enfrentar a pandemia de COVID-19, responsável por mais de 700 mil mortes no país.
Um laboratório não se constrói da noite para o dia. São décadas de investimentos, formação de pessoas e trabalho científico que podem desaparecer em poucas horas. O fogo consome equipamentos. A perda do conhecimento, das amostras e das pesquisas pode comprometer gerações.
O episódio ocorre em um ambiente particularmente preocupante, marcado por ameaças extremistas contra universidades públicas, inclusive por relatos de planos de atentados com explosivos. Não se pode, evidentemente, atribuir autoria ou motivação criminosa ao incêndio sem investigação. Mas tampouco se pode ignorar a gravidade dessas ameaças. A universidade não pode se tornar alvo da intolerância, do obscurantismo e da violência política.
A ABCF cobra investigação rigorosa, transparente e célere, além de medidas imediatas para recuperação da infraestrutura atingida e proteção das instituições públicas de ensino e pesquisa.
Nossa entidade reafirma sua defesa intransigente do SUS, da educação pública, da ciência, da tecnologia e da inovação, do direito à vida e da democracia. Esses valores são indissociáveis. Uma sociedade que despreza seus cientistas compromete sua saúde, sua soberania e seu futuro.
A ABCF manifesta irrestrita solidariedade à comunidade acadêmica da UFPE.
Porque, quando um laboratório vira cinzas, não é apenas a ciência que perde. É o Brasil que fica mais pobre, mais vulnerável e mais distante do futuro.
Associação Brasileira de Ciências Farmacêuticas – ABCF | 08/10/2026

















